SITUAÇÃO LABORAL NA MEO/ALTICE PORTUGAL

 

Em meados de Dezembro a Altice Portugal comunicou-nos que no início do ano reuniríamos para apresentação de um Plano de RH, nessa altura, projeto do Dr. João Zúquete, que agradaria muito às ORT pois tratava de dar trabalho a quem não o tem.
Inclusive o regresso dos trabalhadores que estão em casa com dispensa de assiduidade, na prática significaria a resolução do problema da USP.
No momento inicial nada transpirou que indiciasse que o que estava em estudo, era um Plano de Restruturação de RH muito mais vasto, mas criou elevadas expectativas!
 
É público desde há muito que a ALTICE PORTUGAL considerava que tinha quatro ou cinco mil trabalhadores a mais, mas que jamais voltaria a haver suspensões de contrato e pré-reformas. Mais: isso seriam medidas de gestão suicidas!
 
Em Janeiro A ALTICE PORTUGAL surpreendeu ao apresentar o Plano Pessoa. Notável a escolha do patrono: Fernando Pessoa. Escreveu Pessoa que “ O Poeta é um fingidor...” e o ultimo verso, no leito da morte, “ I know not what tomorrow will bring”, certamente não se aplicarão à situação. Não é fingimento e queremos acreditar que o amanhã trará o que se anuncia: solução para os problemas existentes!
 
Elogiámos a proposta ao Engº Alexandre Fonseca, ao ponto de afirmarmos que quando a esmola é grande o pobre desconfia!
 
Para o TENSIQ a questão resume-se: a decisão cabe exclusivamente a cada um!
 
O TENSIQ não influencia decisões pessoais, nem aconselha por ideologia!
 
O que garantimos é que as minutas das diferentes versões de contractos, já foram analisadas juridicamente, tendo sido apresentadas possíveis alterações à Gestão, para assegurar a salvaguarda dos legítimos interesses e expectativas daqueles que DECIDIREM aceitar!
 
Em nome da verdade temos que referir que as condições agora oferecidas, foram reivindicadas por várias ORT, em inúmeras reuniões, como a solução para resolver o problema do “excesso de trabalhadores”. Sempre com a recusa da Gestão de tal possibilidade. Alguém de boa-fé poderá agora afirmar que a proposta é má? 
 
Por outro lado em tempo útil propusemos à Gestão que o Plano fosse extensível aos trabalhadores “transmitidos” de modo a que se crie uma oportunidade para encerrar os conflitos, respeitando a vontade daqueles que aceitem as condições propostas.
Sublinhamos no entanto que essa é uma situação que ainda carece de avaliação devidamente fundamentada, uma vez que ainda não existem minutas das empresas transmissárias até ao presente momento, embora haja contactos com as empresas no sentido de se apurar as minutas finais a serem analisadas juridicamente.
 
Muito importante: A implementação do Plano 
 
Este Plano baseia-se em dois pressupostos:
 
  • A MEO/ALTICE recebe inúmeros currículos de jovens, candidatando-se a trabalhar na Empresa (pois a mesma voltou a ser uma empresa apetecível para os jovens, segundo indicações da Gestão).
 
  • O envelhecimento da população trabalhadora.
 
Com o Plano Pessoa pretende-se rejuvenescer os quadros com jovens talentos e dispensar os mais velhos que se candidatem voluntariamente.
 
O problema:
Deverá haver total transparência nos critérios de escolha dos eleitos porque, considerando os objetivos, como compreender que se negue a saída a quem reúna condições? Vai-se contratar talento jovem para onde? Se alguém quer sair, e a Direção entende barrar o candidato, porque não se preenche a vaga com o tal talento jovem? Ou não entra ninguém? Ou só sairão os que as Direções querem afastar? Esse absurdo castigará quem deu o seu melhor, ao ponto de ser considerado imprescindível, não lhes dando a mesma oportunidade que aos restantes! Ou será que as Direções têm receio de ficar com menos dotações (headcounts)? É histórico na PT que, quanto mais trabalhadores, mais importante é o chefe! E sem trabalhadores...chefe de quê? A seguir vão as chefias! Quem se candidatar e for recusado, alguma vez entenderá porque saem os colegas e ele não? Com que ânimo trabalhará no futuro se é prejudicado pelo empenho e competência?
 
Sendo assim, por via da forma de implementação do Plano Pessoa, voltamos ao Poeta:
 
 “I know not what tomorrow will bring”
 
A Direcção do TENSIQ

Francisco Violante